VENEZA, ITÁLIA: UM GLAMOUR ESCONDIDO PELO VERÃO

30Quando acrescentei Veneza no meu roteiro de viagem imediatamente veio à minha mente aquelas cenas românticas dos passeios de gôndolas, dos canais estreitos e bucólicos e da agitada Praça San  Marco. Enfim, um belo quadro para uma cidade super badalada entre os viajantes. E Veneza realmente é bela. Suas ruas e canais criam uma atmosfera única. Veneza [FOTOS] é única. A principal praça da cidade – a Praça São Marco – abriga a Basílica de São Marco de interior sombrio e simplesmente belíssimo formado por vários mosaicos dos séculos XII e XII que cobrem os 4.240 metros quadrados do interior (é uma das basílicas mais lindas que já vi na vida e infelizmente não é permitido tirar fotos no interior) e um dos pontos altos é o Pala D´Oro (século X), um grande painel incrustado de jóias que fica atrás do altar-mor. Quase em frente da basílica fica o Campanário [FOTOS] de onde se tem uma bela vista aérea de Veneza. Quem quiser ver como é a Piazza San Marco basta dar uma olhada no vídeo abaixo:

Na praça menor ao lado fica o Palácio Ducalle do século IX e que era a residência oficial dos governantes da cidade (os Doges). Apesar de não ter visitado o palácio, fica aqui a dica (uma boa desculpa para voltar). Após alguns minutos de caminhada você chegará na Ponte Rialto [FOTOS]. 104Uma ponte de pedra do século XVI e que era a única forma de cruzar o Grande Canal até 1854 (foram 263 anos como única opção de travessia e vou falar mais disso adiante). Dá para ver o grande movimento de barcos no Grande Canal que é a principal “avenida” da cidade – inclusive algumas gôndolas que ficam “dançando” ao sabor das marolas causadas pelos barcos maiores – e é um bom lugar para ótimas fotos. Aliás, passeando pelo Grande Canal você descobrirá uma Veneza que quem está em terra não consegue ver em toda sua plenitude: vários palácios construídos por ricos comerciantes e nobres da Idade do Ouro veneziana. Basta pegar, por exemplo, um Vaporetto (os ônibus-barcos da cidade) da Praça San Marco até a estação de trem [FOTOS].

Tudo muito bonito, mas num livro interessante sobre viagens que li chamado A Arte de Viajar, o autor, Alain de Botton, escreve logo nos primeiros capítulos que existe uma grande diferença entre a nossa expectativa sobre um lugar e a realidade que se mostra ao chegarmos nele. Ficamos, por exemplo, muitas vezes tão deslumbrados com uma foto de uma praia belíssima numa propaganda que esquecemos que por detrás dela existe toda uma infra-estrutura (ou a falta dela) que, às vezes, não condiz com a beleza daquele “quadro” mostrado na foto. E foi mais ou menos isso que senti quando visitei Veneza. Não que ela não mereça ser conhecida por quem ainda não teve a oportunidade já que é uma cidade bonita e bem diferente das demais como já disse e mostrei, mas a realidade – principalmente no verão – nos mostra algo a mais. E se eu explicar um pouco do que é Veneza, racionalmente falando, talvez fique mais claro.

Veneza é uma ilha, mas uma ilha diferente. Todos os meios de transporte terrestre chegam no máximo na entrada da ilha – ônibus e carros na Piazzale Roma e trens na estação Venezia Santa Lucia. Depois daí, para quem quer ir para o principal  ponto da cidade – a famosa Piazza San Marco – só existem duas opções: ir pela água, através do Grande Canal, pegando um Vaporetto – os “ônibus” de Veneza – pagando uma passagem de EUR7,00 (set/13) ou um táxi-barco e sendo praticamente “assaltado” numa corrida de uns EUR60,00 ou ir por terra andando. Mas, se vc for por terra andando, prepare-se para enfrentar várias ruelas que formam um verdadeiro labirinto. Apesar de várias placas pelo caminho que ajudam bastante, sem um bom mapa é certo se perder. E isso sem falar de mais um complicador: para atravessar o Grande Canal só existem 3 pontes bem distantes uma das outras. Pelo caminho existem várias pequenas pontes cujo piso são escadas que dificultam (ou inviabilizam) para quem se hospedar na ilha e estiver levando muitas malas. A principal opção é ficar hospedado em Mestre – bem ao lado de Veneza – e ficar indo e voltando de trem todos os dias numa viagem de aproximadamente 11 minutos. Nada complicado, mas às vezes cansa.

Mapa Veneza

As marcações em vermelho são os pontos de chegada em Veneza (Trem, carro e ônibus). O ponto amarelo marca o local da Piazza San Marco e para chegar até ela à pé é preciso usar as pontes que cruzam o Grande canal marcados em preto.

Se tudo isso não bastasse, ainda tem uma multidão de turistas circulando pelas ruas estreitas – eu inclusive contribuindo para isso – o que deixa tudo mais difícil e sem contar com o sol escaldante que faz no verão italiano. 200Não falo tudo isso para fazer todos desistirem de ir. Apenas quero mostrar que atualmente existe uma diferença grande entre o que se acha de Veneza e o que ela realmente me pareceu ser – pelo menos no verão. Mas a cidade, como comentei no início, é bem bonita e diferente das demais. Existem vários pequenos canais cortando a cidade que são utilizados como “rua” pelos pequenos barcos e gôndolas e cortados por pequenas pontes que dão uma beleza especial ao lugar.

Se você for como eu e não gostar muito da tríade calor X multidão em espaços apertados X acesso difícil evite ir à Veneza no verão. Realmente foi um choque já que também esperava encontrar todo o romantismo e a áurea de uma Veneza idealizada nos livros e filmes, mas acho que só encontrarei mesmo neles.

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